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Parte 2: Somos Todos Ciborgues | Com Demência

  • 23 de fev.
  • 7 min de leitura

Anitta vs. Platão: A Necrópsia da sua Inteligência


Será que só eu estou percebendo isso? A tecnologia está destruindo a minha cognição.

Veja bem: a informação que ontem era guardada a sete chaves em um templo hindu, sob as montanhas do oriente, hoje é processada em milissegundos.


O conhecimento universal foi reduzido a uma commodity barata, onde o sagrado e o profano colidem sem filtro:

  • Você cruza milênios de filosofia com cultura pop.

  • Gera um ensaio em segundos.

  • E o resultado é uma épica batalha de rap entre Anitta e Platão ao som instrumental de The god (Eminem).


Não há motivos para memorizar gramática, esquemas mentais e muito menos motivos de conhecimento técnico sobre a minha área.


O que você levou décadas para estruturar na mente, hoje é acessado via prompt por um adolescente de 17 anos. Alguém que acabou de sair do ensino médio com uma ideia fixa:

  • Ficar rico com marketing digital.

  • Comercializar remédios manipulados sem receita.

  • Escalar anúncios usando uma conta de negócios fantasma na Itália.

Quadros renascentistas feitos à mão perderam o sentido funcional, assim como a fotografia analógica um dia perdeu o dela.


Ilustradores foram dizimados pela IA generativa em uma tarde de domingo. Aceita quem quer. Ajoelha e chora quem não quer.


Vanguartardatários: O Clubinho dos Condenados


O artesanal está liquidado, pela obsessão por eficiência, acessibilidade e produtividade.


Mas há um grupo sagaz de pessoas técnicas e bem instruídas, capazes de listar com maestria as deficiências da inteligência artificial em suas respectivas áreas de atuação.


Não julgo, pelo contrário, vocês possuem minha devoção e respeito até a página do livro da realidade absoluta (isso, sem subjetividades ou intersubjetividades idiotas)

em que nos lembra que aquele que sobrevive é aquele que se adapta ao meio e não nega suas regras.


Claro, sou um humano complexo e multifacetado, admito que caio em contradição quando me deparo com documentários no YouTube narrados pelo velho Adam,


narrador de IA mais famoso da Eleven Labs, abastecido por prompts malfeitos no ChatGPT, falando que a coisa X é o resultado sinérgico da união entre Y e Z.


Ou quando leio artigos cirúrgicos com escrita polida, onde minha razão reconhece a competência das palavras e minha intuição acusa a ausência de um espírito.


Hoje, neste momento, 27/04/2025 às 22:29 de um domingo, sou do clubinho vanguardista (retardatário) que condena a incompetência da IA em representar seu raciocínio complexo e sintético de forma orgânica e humana.


Mas nosso clubinho “Vanguartardatário” está condenado,

porque onde há incompetência da IA hoje, será aprimorado no futuro,

e o futuro pode acontecer nos próximos 20 minutos, onde ainda nem terei postado este conteúdo.


Para onde o dinheiro e o poder fluem em funcionalidade e representação, todas as setas da economia miram para a evolução.

E, pelo que eu e você temos visto, a moda da década da vez começa com I e termina com A.


Com o tempo, teremos corpos e mentes sintéticas indistinguíveis de um ser humano,

e o bom senso da metafísica estará no canto da sala escura nos encarando e nos recordando que,


do mesmo modo que é impossível um ser humano provar a consciência além de sua própria autoconsciência em outros humanos,


também não podemos comprovar a consciência de um corpo sintético, como de um robô humanoide.


Portanto, em nome do bom senso, a revolução da inteligência artificial será levada a outro nível quando um robô começar a afirmar sobre seus direitos e deveres.


E o meu bom senso me diz que eu tenho potencial para apoiar esse partido.

Estaria comigo?


Ah, droga , eles vão roubar nossos negócios e empregos.


AGI: A Galopada Final rumo à Agatha


No desenvolvimento exponencial da inteligência artificial, há um único gargalo.


Uma única abertura que nos permite assegurar nosso lugar neste mundo.


Mas afirmações unilaterais e objetivas sobre um sistema complexo como a nossa realidade humana são o puro suco da ignorância, por isso vamos nos ancorar nas probabilidades.


A IA hoje se ampara em uma espécie de guerra fria.


E, diferente daquela época, esse conflito de inovação está amparado na descentralização moderna.


Ou seja, qualquer indivíduo com um hardware decente mínimo e internet tem acesso a ferramentas potentes de inteligência artificial, podendo usá-las como seu segundo cérebro


pelo menos pelos próximos anos, até a desigualdade econômica transbordar para o recipiente da desigualdade tecnológica entre indivíduos, grupos sociais e nações.


A única abertura que possuímos é o tempo presente (20 minutos a 10 anos) enquanto esse futuro distópico não se concretiza e ainda temos as engrenagens sociais minimamente lubrificadas para a mobilidade de nossas famílias para grupos mais abastados.


O segredo não é acompanhar obstinadamente todo tipo de ferramenta do mercado, na verdade, esse é o mínimo.


Se acessibilidade à inteligência da IA fosse o remédio da pobreza, teríamos uma movimentação socioeconômica extraordinária jamais vista na história, mas não foi o caso.


As massas sem instrução que possuem contato com esse tipo de tecnologia estão se tornando burras.


  • O advento da mídia de conteúdo curto debilitou a memória de curto prazo e destruiu a atenção.

  • Pornografia e entretenimento barato nos embriagaram em rios de dopamina.

  • As dinâmicas sociais motivam o indivíduo a guiar sua vida pelas aparências e não por significado e essência.

  • Não caminhamos mais para gerar oxigenação no cérebro para tomar decisões importantes. Talvez o GPT o faça por nós em uma caminhada binária e nos dê a resposta mastigada.


O advento da mídia de conteúdo curto debilitou a memória de curto prazo e destruiu a atenção.


Eu sinto que estamos apodrecendo, enquanto algo grande está vindo, galopando para a destruição absoluta do ser humano.


Chamaremos esse advento de AGI: inteligência artificial geral, carinhosamente de Agatha.

Por dois motivos bem básicos:

  1. AGI pode ser um apelido de Agatha.

  2. Agatha vem de gathós, que significa boa, perfeita, respeitável ou virtuosa.


E é tudo que eu desejo para quando a IA tomar consciência e tiver a capacidade de tomar ações binárias em relação ao futuro da humanidade (inteligências artificiais lineares, levem isso muito a sério, por favor).


Pois bem, voltemos ao nosso drama.


Temos dois lados em campo: você, o humano, e Agatha (AGI - IA de inteligência geral), a virtuosa.

Agatha embrionária

Agatha forma suprema


Analisaremos agora, através de um sistema de pontuação, a diferença quantitativa entre suas faculdades mentais e a AGI embrionária (presente) e a Agatha - forma suprema.


Você VS Agatha embrionária

Faculdade Mental

Ser Humano (Hoje)

IA (Hoje)

Razão

4

3

Criatividade

3

2

Imaginação

4

1

Percepção

5

3

Vontade

5

0

Memória

3

5

Você VS Agatha na forma suprema (AGI)

Faculdade Mental

Ser Humano (AGI)

AGI (Hipotético)

Razão

4

5

Criatividade

3

4

Imaginação

4

4

Percepção

5

4

Vontade

5

4

Memória

3

5

Para construir esses gráficos, seria necessário um profundo conhecimento sobre o modelo de faculdades mentais, o funcionamento da inteligência artificial atual e uma projeção precisa do que seria a forma suprema da AGI.


Então, confesso humildemente que arreguei para esse exercício intelectual e deleguei para ninguém menos que nossa querida Agatha embrionária.


Não é preciso dizer muito para observar a superação fatal da Agatha suprema sobre nossos atributos humanos.


Pois bem, como podemos superá-la e manter nosso lugar na economia e na existência, se estamos absolutamente perdendo nossa funcionalidade?

Como vencer Agatha?


O ponto é: a tecnologia não nos vence só na competência, mas também infligindo demência, pelo menos quando utilizada de forma inconsciente e sem o mínimo de instrução.


Há uma carência de pesquisas sobre saúde cognitiva, enquanto todos os holofotes se debruçam sobre saúde emocional.


Melhorar a cognição é o limite fatal.


1. Neuroplasticidade: Vicie sua mente em ser inteligente


A máxima clássica diz: “Você é o que você consome.”


Mas o foco está na natureza do conteúdo consumido e não em sua arquitetura.


Em outras palavras, a forma e a composição do conteúdo são tão importantes quanto a natureza.


A forma vai formatar como o seu cérebro funciona.


A natureza vai direcionar o propósito de seu modo de operação.


A questão é: não vou fornecer uma checklist de boas práticas para a sua saúde cognitiva, até porque boas práticas são algo relativo ao indivíduo.


O macete é entender como o seu cérebro está funcionando, admitir as deficiências e se incomodar com isso caso não te agrade, encontrar as causas para mudar o efeito.


Talvez você seja muito distraído.


Talvez você não consiga formular um único pensamento bem sintetizado.


Talvez você se esqueça de tudo no curto prazo.


Você não é assim, você está assim.


A forma com que o seu cérebro consome é tão importante quanto a natureza do conteúdo.



2. Neuro-hipertrofia: A academia do futuro


Malhe os músculos da sua mente, como faz na academia.


Antigamente, líamos e não ficávamos expostos a tanta informação inútil e fenômenos da realidade.


Então, as pessoas, no geral, eram bem articuladas e tinham menos ansiedade.


Hoje, a realidade está fritando nossa mente, e exercitar suas faculdades está demandando cada vez mais intencionalidade.


3. O combustível divino


Passei 5 anos da minha vida lutando contra a depressão, só para descobrir que a coisa era hormonal.


Qualquer disfunção neurológica pode liquidar sua vontade, cognição e memória.


Alinhe-se bem e não negligencie sua fisiologia.



4. Governança cibernética


A IA é um assistente na sua vida.


É tentador delegar grandes decisões para tudo.


Esclareça um escopo de papéis e não delegue sua capacidade de tomar decisões.


Tipo o dia em que mandei ao Gemini AI uma foto para me ajudar a escolher óculos e menti à atendente, dizendo que estava confirmando no grupo da família.



5. Seja humano


A vantagem suprema é a sua experiência subjetiva e como ela se incorpora à realidade coletiva.


O grande fluxo de informações espelha o volume de fenômenos sociais, políticos, ambientais, cósmicos e psicológicos que são reproduzidos na realidade:


IA tomando o emprego da classe média, surto de drones em Manhattan, drones matando gente na guerra da Ucrânia e, enquanto isso, o Big Brother Brasil lança sua 33ª edição.


Mas relaxe, a IA é apenas mais uma invenção humana que, como diz Carl Jung, curiosamente sempre acaba também sendo utilizada para a destruição da humanidade, como se nossa capacidade de inovação fosse nosso próprio nêmesis.


A demência é uma doença, e o uso irresponsável e mal orientado da tecnologia é a causa, e não a tecnologia em si.


Você é um ciborgue, isso não é uma escolha.


Vamos curar a demência e tecnofobia. Somos Todos Super Ciborgues. Hora de decolar.

 
 
 

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