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Parte 1: Somos Todos Ciborgues | Com Tecnofobia

  • 10 de mai. de 2024
  • 6 min de leitura

Atualizado: 23 de fev.


A selva moderna Vs Ser humano moderno


 O leopardo-persa é um dos predadores mais letais do reino animal. Ele possui hábitos noturnos para se alimentar, sai para caça todo santo dia e precisa desenvolver competências para não morrer de fome.

Possui um corpo esguio e adornado de músculos para caçar, garras retráteis para escalar árvores e se reveste uma pelagem compacta de uma ousada e discreta coloração dourada e pintas pretas.

Ele é uma verdadeira máquina de matar, porque como um animal instintivo o sentido dado a sua existência é sobreviver. Portanto, a natureza o obrigou a criar todo tipo de dispositivo e competência para exercer o sentido de sua existência.


Com o ser humano, a coisa se tornou um pouco diferente.  Quando vivíamos de forma nômade e imersos na natureza, também tínhamos como prioridade a sobrevivência da nossa espécie. 


Essa busca incessante pela ascensão populacional  de nossa espécie só se tornou possível com a “evolução” da raça humana, que resultou em uma sequência de revoluções que mudaram o rumo do sentido da humanidade.


  • Descobrimos a força do pensamento: começamos a pensar sobre o mundo e a entender como as coisas funcionavam a partir da Revolução Cognitiva.

  • Paramos de ser nômades: aprendemos a plantar e a criar animais. E essa foi a Revolução Agrícola.

  • As máquinas entraram em cena: com a indústria, começamos a produzir tudo em grande escala, mudando completamente como vivíamos. Essa foi a Revolução Industrial.

  • A ciência virou a base de tudo: A gente começou a estudar o mundo de forma mais profunda, fazendo experimentos e descobrindo leis da natureza na extraordinária Revolução Científica.

  • A tecnologia explodiu: está em  tudo que fazemos, desde os drones militares de combate dos EUA ao seu smartphone, e isso é resultado da Revolução Tecnológica.

Todo fenômeno revolucionário, opera como uma disrupção no rumo das coisas, mudando radicalmente o que chamamos de realidade forçando a espécie humana a fazer curvas e se movimentar na diagonal no quadrante do statos quo, destruindo e recriando a realidade. Mas nunca foi difícil acompanhar o movimento dos gráficos para sobreviver e prosperar.

A Humanidade VS Leopardos-persas  

A humanidade se elevou na cadeia alimentar e hoje governa o mundo. Apesar de ser um troféu duvidoso, a luta pela sobrevivência foi vencida. Nos tornamos os predadores mais letais, problemas antes corriqueiros como pobreza extrema e violência generalizada foram largamente reduzidos se comparado a eras anteriores. Hoje só nos preocupamos com a retaliação vinda a partir de nossos semelhantes e de nossas próprias criações. E foi a partir daí que o sentido da existência migrou do simples conceito de sobrevivência para ser plastificado na conveniência. A conveniência daquilo que atende as necessidades e desejos do indivíduo. 


No início a troca direta de bens e serviços era suficiente para nossas comunidades. Mas a subjetividade do valor de cada item e a dificuldade de medir essa troca de forma justa eram obstáculos.


A solução: Dinheiro


O dinheiro poe ser quantificado, somado e trocado por qualquer coisa. Quase como uma alquimia mística estamos falando de uma energia neutra e dinâmica que pode ser transformada em: Saúde. 


Justiça. 


Alimento.


Educação. 


O dinheiro é o núcleo da nossa caça moderna, mas em contradição ao Leopardo persa, temos sérios problemas em nos adaptar aos novos dispositivos forjados à nova ordem global para sobrevivermos na selva chamada economia moderna.



A ponta do iceberg  

Enquanto você aguarda ansiosamente o seu novo smartphone chegar via correios, revoluções estão acontecendo e explodindo como estrelas dançantes.  

Apesar de na educação convencional aprendermos em história que a Revolução Industrial foi a última revolução protagonista no impacto da realidade, seria necessário um punhado de disciplinas para acompanhar as revoluções atuais que coexistem em cada aspecto do nosso presente. Ciência e tecnologia,  são conceitos tratados de forma integrada na era moderna.  Não foi do vazio que emergiu o conceito de Internet,  que é uma dimensão intangível compartilhada onde ideias, serviços, mídias e tudo mais coexistem.  Ou as ferramentas mais sofisticadas com inteligência artificial, nos tirando a escolha de passar a usar ou não esses dispositivos como ferramentas essenciais de sobrevivência. 


Você não é mais um caçador armado com uma lança de madeira e pedra, espreitando na mata com o benefício da dúvida se será o caçador ou o caçado. Você é um ser humano que está alheio à liquidez da economia. Você espreita na selva moderna, e sua preocupação é se será o produtor ou o produto.

É difícil lidar com a selva moderna, principalmente se você tem o mínimo de bom senso para se preocupar com questões de propósito, ética e coisas inúteis para um mundo tão utilitário. Porque saber o que é IA generativa, algoritmos, produtos e serviços, se ardemos com a frustração de saber quem somos?


Esse dissonância entre a necessidade de fazer dinheiro através dos dispositivos modernos e saber quem você é, pode e vai te derrubar. 


 O movimento, é uma lei universal que se reflete em cada aspecto da existência humana. E quando negligenciamos tendências universais, somos impactados pelo sofrimento.


A selva moderna evoluiu, os dispositivos de sobrevivência também, é sua responsabilidade acompanhar o rítmo das coisas ou ficar para trás. 


O ser humano mudou, e os retardatários serão extintos. E eu posso provar. 


Os retardatários em instinção 


Queremos nos autorealizar exercendo nossas paixões. Fazemos arte para tocar corações, escrevemos coisas que precisam ser ouvidas, defendemos pessoas em tribunais e até mesmo salvamos vidas. Mas amar o que fazemos nem sempre é o suficiente, pois, com bastante frequência, para escalar as árvores da selva econômica, nossos dispositivos ficam obsoletos e recusamos aderir às novidades.


Everett Rogers, nos conta muito sobre o esse fenômeno. Através de seu livro "Diffudion of inovations.". 



Foi uma obra criada para descrever o comportamento dos consumidores e auxiliar empresas em mercados inovadores. Mas tomei a liberdade usar como um termômetro para distinguir quem conseguirá se realizar na modernidade e quem ficará preso no velho mundo.

Muitos almejam a inovação, ser a ponta da flecha da evolução atirada em direção futuro enquanto perfura o espaço-tempo. É uma região perigosa, pois na vanguarda estão as bases imprescindíveis da maioria das áreas do conhecimento e lapidar valores.

Sim, de certo modo somos escravos das tendências que ditam nossa sobrevivência. Mas também, principalmente, somos escravos de um subparágrafo da lei dos opostos.


“Em cada polo extremo, contem em sí a substância de seu oposto.” - Carl Jung


Essa observação de Carl Jung sobre os movimentos da mente humana, nos conta o risco de um individuo com complexo heroico de estar na ponta da lança da evolução humana se tornar facilmente um retardatário.


Mas o nosso ponto aqui não são os riscos para aqueles que estão tentando escalar montanhas, e sim os condenados.

Não há nada de cinematográfico aqui (ainda). O ser humano, em sua natureza, nunca foi uma criatura sapiens nua. Sua mente complexa reflete a amplitude dos segredos do universo, sempre capaz de criar múltiplas extensões tecnológicas para sobreviver no eterno mundo moderno. 

Aparelhos com o poder equivalente a 300 processadores do primeiro computador inventado não só são convenientes, são essenciais. Sem aparelhos, não movimentamos nossas contas em bancos, somos negligenciados por empresas na busca por empregos e não nos conectamos com o mundo.


É como se o conceito de "ser humano" tivesse sido levemente corrompido; e de fato foi, todos somos ciborgues.


Não há nada de cinematográfico aqui (ainda). Somos todos ciborgues, e a ciência concorda. Donna Haraway já dizia no século XX através de seu Manifesto Ciborgue que a fusão entre humanos e tecnologia é inevitável.


Na era moderna, essa fusão se tornou uma realidade, com nossos corpos sendo estendidos e aprimorados por dispositivos tecnológicos. Um cenário líquido e transitório para um mundo onde o único conceito absoluto é que você deve abraçá-lo ou ficará para trás.

Mas a vanguarda nos alerta: para onde foi a legitimidade da arte criada com todo o coração, se é que essa peça do enigma humano ainda existe?


Coração, sangue e algoritmos “Um coração volúvel é a única constante nesse mundo - Castelo Animado”


É no reino do coração, onde habita nossa mitologia pessoal e nossas paixões. Mas quando um coração humano se paralisa diante da realidade, este se vê morto. E a morte sem dúvida leva consigo todos os seus caprichos.

A existência é dinâmica. O espaço e tempo é dinâmico, o planeta Terra é dinâmico, o clima é dinâmico, a economia é dinâmica e você também é.


Movimento, está intrincado em cada aspecto da existência e é inegável que esse dinamismo caótico comporta algum tipo de lógica. E todos os elementos, inclusive você são engrenagens.

Dito isso, não condene a sí mesmo e seus projetos parando de girar com o mundo.


Tecnologias e marketing são extensões e nós mesmos. Somos cyborgues, queira ou não. Uma nova revolução está acontecendo e ao nível mundial.  Usar tecnologias para maximizar a arte que pulsa em nosso coração, soa doloroso. Pois autenticidade, direitos autorais e criatividade jamais foram termos tão confusos.


Tecnologias nos foram dadas, o que fazer com isso? É como ter a faca e o queijo na mão. Mas o que a maioria das pessoas tem feito? Jogado o queijo no lixo e enfiado a faca onde por uma questão de bom senso não se deve enfiar facas. Vamos descer o nível. Leia Somos todos Ciborgues 2 (com Demência).


 
 
 

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